UNIVERSIDADE NO BRASIL
Universidade: um novo papel no século XXI
Gilberto Teixeira (Prof.Doutor,FEA/USP )
“Wilhelm von Humboldt, fundador da Universidade de Berlin em 1809 espalhou a idéia de que universidades são lugares para realizar pesquisa. O papel delas tem sido prover os estudantes com ampla base de educação e preparar a carreira deles. O professores deveriam ser estudantes, pesquisadores bem como instrutores”. [The Economist, 24 Agosto de 1996].
As universidades carecem de uma reestruturação. Após séculos de mudanças evolucionárias, elas se mostram com um novo semblante apresentando-se com novas funções e métodos. Hoje em dia, o modelo predominante é ainda uma combinação do ensino tradicional e pesquisa acadêmica como difundido por Humboldt no século XIX. As diretrizes da visão de universidade de Humboldt são pesquisa e ensino bem como liberdade para os professores. Entretanto, as mudanças são inevitáveis devido a pressão para mudanças por parte sociedade, grupos políticos e da mídia. Pode-se dizer que as mudanças são bastante influenciadas pelos novos avanços tecnológicos e novos ambientes de ensino decorrentes. No Brasil crise avança em todo ensino superior e só políticas de curto prazo e eleitoreiras tem sido adotadas.
O papel da universidade hoje precisa ser redefinido com novos conceitos. Por exemplo, a Internet possibilita a existência de salas de aulas virtuais. Bibliotecas digitais oferecem repositórios de conhecimento. A Web tem disponível diversos materiais que podem ser utilizados em seminários e outras atividades de pesquisa. A simulação computacional permite substituir experimentos realizados em laboratório.
Para muitos a tecnologia seria o remédio salvador sem perceberem que ela é meramente um serviço ou componente adicional como o computador ou recurso áudio visual. A tecnologia adotada como um modismo, e sem que os investimentos em equipamentos e sistemas, sejam acompanhados de políticas de capacitação dos docentes no uso da tecnologia, irá resultar em nenhum acréscimo na qualidade do ensino e conseqüentemente recursos desperdiçados.
As universidades, hoje em dia, deparam-se com uma crise tanto financeira quanto estrutural. A maioria delas é dependente de financiamento público. Entretanto, os recursos para educação estão sendo cada vez menores devido a orçamentos minguados por parte do governo os quais não têm atendido a demanda cada vez mais crescente. Muitas vezes, o governo questiona o valor econômico da pesquisa acadêmica. Todavia, algumas companhias, principalmente nos centros mais avançados, estão pagando para utilizar resultados relevantes de pesquisa. Para lidar com tal situação, as universidades precisam atuar em duas frentes: uma requer uma reestruturação para permitir sobreviver com os parcos recursos existentes e outra que considere a re-orientação de seus programas.
Além das questões levantadas anteriormente, as universidades têm se deparado com o número crescente de estudantes bem como têm sido pressionadas a oferecerem uma quantidade de vagas cada vez maior a fim de atender a demanda/pressão social.
Ignorar que a causa maior da queda de qualidade do ensino superior está no caos e má qualidade do ensino público de nível médio acompanhada da má qualidade dos professores universitários que nunca souberam o que é metodologia do ensino, planejamento da instrução, avaliação educacional e o significado do que seja aprendizagem.
Diante de tal cenário, o papel de professores e alunos na Sociedade da Informação precisa ser urgentemente reconsiderado. É importante salientar que a estrutura e status das universidades foram concebidos para permitir o máximo de independência, tanto internamente quanto externamente (relativo às forças externas). Esta situação não possibilita que um processo de mudança seja facilmente implementado.
Está fartamente documentado em pesquisas que o professores tendem a ser resistentes a mudanças e por isso qualquer mudança ou inovação só é alcançada quando acompanhada de medidas para reduzir essas resistências..
. Cada vez mais as universidades vêm sendo cobradas como provedoras de serviço – a educação de qualidade. Disso decorrem questões como: as universidades estão oferecendo serviço de qualidade? Elas o estão fazendo de forma eficiente?
Os professores são pressionados a progredir na carreira através dos títulos de Mestre e Doutor como se essas titulações tivessem o dom de melhorar a qualidade do ensino. O Doutorado e Mestrado só conseguem aumentar e aprofundar os conhecimentos e formar os pós graduados com as habilidades de pesquisa .
Enquanto isso vários países que passaram por crises de qualidade no ensino (Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália ) optaram pela estratégia de capacitar seus professores em habilidades pedagógicas e tecnologia instrucional.E essa estratégia não significou o abandono das titulações .
Percebe-se que para as universidades ofereçam serviço de educação com qualidade, é necessário ver e tratar os estudantes como clientes. Isso é chamado ENSINO CENTRADO NO ALUNO.
Hoje em dia, vemos o uso da teleconferência para oferecer cursos a distância bem como a disponibilização de material on-line. Estas tecnologias permitem a universidade atravessar fronteiras. Em tal cenário, os estudantes já não precisam se deslocar para outros centros ou países a fim de obterem uma educação de qualidade. Assim, os estudantes poderão participar de cursos e receberem diplomas reconhecidos internacionalmente. Tais estudantes estarão pagando elevadas taxas e serão tratados como clientes. Embora este cenário possa parecer futurista demais para alguns, pode-se dizer que não é. Não há muita escolha, ou a universidade torna-se global e retém seu status, e entra na competição por estudantes, professores e recursos, ou terá sua atuação restrita tanto em escopo como financeiramente.
Mas esse retrato que fizemos não é,infelizmente a realidade brasileira.Continuamos atrelados a uma visão burocrática ,autoritária e xenófoba por parte das autoridades responsáveis pelo ensino superior. Assim, nossos dirigentes do ensino já se manifestaram contra: a) cursos superiores realizados a distancia em instituições estrangeiras. Alegam que isso iria acabar com o ensino superior ministrado em instituições brasileiras devido a concorrência “predadora”. b) o reconhecimento de diplomas de cursos a distancia realizados em universidades estrangeiras. Esse posicionamento intransigente mostra bem que não existe vontade de solucionar esses problemas sendo mais fácil a atitude xenófoba para encobrir a incompetência. Enquanto o ensino superior estiver dominado por dinossauros defendendo idéias ultrapassadas e reagindo a inovações as universidades brasileiras, com raras exceções continuarão a beira da falência total e diplomando anualmente milhares de profissionais despreparados para ingressar no mercado de suas profissões.
http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=19&texto=1183
Universidade: um novo papel no século XXI
Gilberto Teixeira (Prof.Doutor,FEA/USP )
“Wilhelm von Humboldt, fundador da Universidade de Berlin em 1809 espalhou a idéia de que universidades são lugares para realizar pesquisa. O papel delas tem sido prover os estudantes com ampla base de educação e preparar a carreira deles. O professores deveriam ser estudantes, pesquisadores bem como instrutores”. [The Economist, 24 Agosto de 1996].
As universidades carecem de uma reestruturação. Após séculos de mudanças evolucionárias, elas se mostram com um novo semblante apresentando-se com novas funções e métodos. Hoje em dia, o modelo predominante é ainda uma combinação do ensino tradicional e pesquisa acadêmica como difundido por Humboldt no século XIX. As diretrizes da visão de universidade de Humboldt são pesquisa e ensino bem como liberdade para os professores. Entretanto, as mudanças são inevitáveis devido a pressão para mudanças por parte sociedade, grupos políticos e da mídia. Pode-se dizer que as mudanças são bastante influenciadas pelos novos avanços tecnológicos e novos ambientes de ensino decorrentes. No Brasil crise avança em todo ensino superior e só políticas de curto prazo e eleitoreiras tem sido adotadas.
O papel da universidade hoje precisa ser redefinido com novos conceitos. Por exemplo, a Internet possibilita a existência de salas de aulas virtuais. Bibliotecas digitais oferecem repositórios de conhecimento. A Web tem disponível diversos materiais que podem ser utilizados em seminários e outras atividades de pesquisa. A simulação computacional permite substituir experimentos realizados em laboratório.
Para muitos a tecnologia seria o remédio salvador sem perceberem que ela é meramente um serviço ou componente adicional como o computador ou recurso áudio visual. A tecnologia adotada como um modismo, e sem que os investimentos em equipamentos e sistemas, sejam acompanhados de políticas de capacitação dos docentes no uso da tecnologia, irá resultar em nenhum acréscimo na qualidade do ensino e conseqüentemente recursos desperdiçados.
As universidades, hoje em dia, deparam-se com uma crise tanto financeira quanto estrutural. A maioria delas é dependente de financiamento público. Entretanto, os recursos para educação estão sendo cada vez menores devido a orçamentos minguados por parte do governo os quais não têm atendido a demanda cada vez mais crescente. Muitas vezes, o governo questiona o valor econômico da pesquisa acadêmica. Todavia, algumas companhias, principalmente nos centros mais avançados, estão pagando para utilizar resultados relevantes de pesquisa. Para lidar com tal situação, as universidades precisam atuar em duas frentes: uma requer uma reestruturação para permitir sobreviver com os parcos recursos existentes e outra que considere a re-orientação de seus programas.
Além das questões levantadas anteriormente, as universidades têm se deparado com o número crescente de estudantes bem como têm sido pressionadas a oferecerem uma quantidade de vagas cada vez maior a fim de atender a demanda/pressão social.
Ignorar que a causa maior da queda de qualidade do ensino superior está no caos e má qualidade do ensino público de nível médio acompanhada da má qualidade dos professores universitários que nunca souberam o que é metodologia do ensino, planejamento da instrução, avaliação educacional e o significado do que seja aprendizagem.
Diante de tal cenário, o papel de professores e alunos na Sociedade da Informação precisa ser urgentemente reconsiderado. É importante salientar que a estrutura e status das universidades foram concebidos para permitir o máximo de independência, tanto internamente quanto externamente (relativo às forças externas). Esta situação não possibilita que um processo de mudança seja facilmente implementado.
Está fartamente documentado em pesquisas que o professores tendem a ser resistentes a mudanças e por isso qualquer mudança ou inovação só é alcançada quando acompanhada de medidas para reduzir essas resistências..
. Cada vez mais as universidades vêm sendo cobradas como provedoras de serviço – a educação de qualidade. Disso decorrem questões como: as universidades estão oferecendo serviço de qualidade? Elas o estão fazendo de forma eficiente?
Os professores são pressionados a progredir na carreira através dos títulos de Mestre e Doutor como se essas titulações tivessem o dom de melhorar a qualidade do ensino. O Doutorado e Mestrado só conseguem aumentar e aprofundar os conhecimentos e formar os pós graduados com as habilidades de pesquisa .
Enquanto isso vários países que passaram por crises de qualidade no ensino (Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália ) optaram pela estratégia de capacitar seus professores em habilidades pedagógicas e tecnologia instrucional.E essa estratégia não significou o abandono das titulações .
Percebe-se que para as universidades ofereçam serviço de educação com qualidade, é necessário ver e tratar os estudantes como clientes. Isso é chamado ENSINO CENTRADO NO ALUNO.
Hoje em dia, vemos o uso da teleconferência para oferecer cursos a distância bem como a disponibilização de material on-line. Estas tecnologias permitem a universidade atravessar fronteiras. Em tal cenário, os estudantes já não precisam se deslocar para outros centros ou países a fim de obterem uma educação de qualidade. Assim, os estudantes poderão participar de cursos e receberem diplomas reconhecidos internacionalmente. Tais estudantes estarão pagando elevadas taxas e serão tratados como clientes. Embora este cenário possa parecer futurista demais para alguns, pode-se dizer que não é. Não há muita escolha, ou a universidade torna-se global e retém seu status, e entra na competição por estudantes, professores e recursos, ou terá sua atuação restrita tanto em escopo como financeiramente.
Mas esse retrato que fizemos não é,infelizmente a realidade brasileira.Continuamos atrelados a uma visão burocrática ,autoritária e xenófoba por parte das autoridades responsáveis pelo ensino superior. Assim, nossos dirigentes do ensino já se manifestaram contra: a) cursos superiores realizados a distancia em instituições estrangeiras. Alegam que isso iria acabar com o ensino superior ministrado em instituições brasileiras devido a concorrência “predadora”. b) o reconhecimento de diplomas de cursos a distancia realizados em universidades estrangeiras. Esse posicionamento intransigente mostra bem que não existe vontade de solucionar esses problemas sendo mais fácil a atitude xenófoba para encobrir a incompetência. Enquanto o ensino superior estiver dominado por dinossauros defendendo idéias ultrapassadas e reagindo a inovações as universidades brasileiras, com raras exceções continuarão a beira da falência total e diplomando anualmente milhares de profissionais despreparados para ingressar no mercado de suas profissões.
http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=19&texto=1183
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