O aquecimento global está na moda. O mais recente desafio dos ateliês de grandes estilistas é transformar as coleções de verão passageiras em peças ecologicamente corretas – de preferência recicladas e que tenham consumido poucos recursos da natureza. “As pessoas querem se vestir sem agredir o planeta”, diz o estilista Oscar Metsavaht, da marca Osklen. Na última edição da São Paulo Fashion Week, ele apresentou sua coleção feita de algodão orgânico, sem uso de agrotóxicos. Segue os passos do estilista italiano Giorgio Armani. Em outubro, em um desfile em Milão, Armani havia lançado sua coleção de jeans com fibras orgânicas.
A indústria têxtil está entre as quatro que mais consomem recursos naturais, de acordo com a Environmental Protection Agency, órgão americano que monitora a emissão de poluentes no mundo. Mas a recente preocupação dos estilistas com materiais ecologicamente corretos não veio naturalmente. A indústria só tem buscado novos caminhos porque os consumidores começaram a preferir a moda que não agride o planeta. Algumas grifes aboliram fibras vegetais cultivadas com produtos químicos. Outras aos poucos estão expandindo a moda verde para toda a confecção. É o caso das americanas Levi’s, Gap e Nike e da britânica Marks & Spencer. Em Milão, o Istituto Europeo di Design, uma rede internacional de escolas de artes, criou saias com peças de aço, vestidos de fios elétricos e calças com metal de bicicleta, tudo feito a partir de objetos que seriam jogados no lixo. “Iniciativas como essas ajudam a conscientizar os consumidores”, diz Ana Candida Zanesco, diretora do Instituto Ecotece, uma organização que monitora a moda verde.
A moda verde de hoje não é hippie como a que despontou no início dos anos 80. “Antes, os consumidores de moda ecológica eram jovens que gostavam de passar férias em navios do Greenpeace”, disse Armani. As peças de hoje atingem diversas tribos. Há roupas chiques, casuais, peças exóticas, mas a maioria é parecida com as que já se vêem nas prateleiras. Os consumidores podem confundir uma bolsa de lona de caminhão com uma de tecido sintético. Na vitrine, com o mesmo tingimento, as duas parecem feitas do mesmo material.
No Brasil, a moda ecológica começa a despontar. A marca catarinense Nara Guichon aproveita em suas bolsas redes de pesca que seriam descartadas. A estilista carioca Rubia Calazans usou rolos de filmes descartados para criar suas bolsas e a Track & Field usou garrafas plásticas e fibras de bambu em sua nova coleção esportiva. Nem sempre o uso de materiais naturais é sinônimo de moda ecologicamente correta. A fibra de bambu, produzida apenas na China, gera polêmica entre os ambientalistas. Seu transporte queima combustíveis fósseis, que emitem gases do efeito estufa. Mas ela faz sucesso nas passarelas e entre os consumidores. Para a indústria, isso basta.
Artigo Revista Época: Guada-Roupa Sustentável.
Um comentário:
Virou uma "febre" falar de ecologicamente correto, para o mundo da Moda então, o status desta prática alcança o ponto mais alto do mercado, todos querem ser bem vistos e lançam mão de formas às vezes não muito ecológicas, como a citada e criticada na matéria pelos ambientalistas( fibra de Bambu ), pois, para alguns empresários, o que interessa na verdade ainda, é apenas o lucro...a consciência de que isto possa ser prejudicial para a humanidade não está em questão, esquecem que estão no mesmo planeta que nós e que não tarda o efeito negativo desta maneira de agirem...o Mundo está dando sinais a todo instante de que precisamos mudar este tipo de postura, cabe a todos nós sabermos decifrar e buscar o melhor para o Planeta TERRA...não terminar Planeta embaixo D'água !!!
Postar um comentário