quarta-feira, 3 de setembro de 2008

INDIGENAS VIRAM MESTRES E DOUTORES

Indígenas viram mestres e doutores31/08/2008
Paulo Pankararu e Fernando Kaingang: carteiras vermelhas da OAB
Da aldeia à academia
Leonel Rocha – Correio Braziliense

Índios deixam as tribos para se dedicar aos estudos e produzir teses e dissertações sobre cultura, língua e patrimônio das etnias. A formação ajuda também na defesa dos direitos de seus povos
Elite intelectual em formação

Filósofo e mestre em educação, Daniel Munduruku sonha em ver uma universidade dedicada a estudos sobre as mais variadas etnias. Temor é de que representantes urbanizados se distanciem da própria cultura .
O escritor Daniel Munduruku recebeu em julho um prêmio da Academia Brasileira de Letras pelo livro O olho bom do menino. Considerada a melhor obra de ficção infanto-juvenil lançada no ano passado, o livro narra a história de um menino cego. Munduruku conseguiu a façanha aos 44 anos, depois de nascer e crescer entre dois mundos - o indígena e o urbano - perto de Belém (PA). A premiação traz um desafio ao mercado editorial, porque a narrativa não trata da temática indígena, especialidade do autor, que já publicou 35 livros, inclusive um destinado a educadores.
Filósofo formado em um seminário de padres salesianos, mestre em educação pela Universidade de São Paulo (USP) com especialização em psicologia e história, Munduruku tem obras editadas no Canadá, México e Espanha. Além de escrever em ritmo industrial, ele preside o Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual (Inbrapi) e quer transformar a instituição em uma universidade dedicada aos estudos do seu povo.
Desde 1987, o escritor mora em Lorena (SP) e ressalta que tem apenas uma mulher (o homem mundurucu pode ter várias) e três filhos. Na opinião dele, já é possível falar em uma elite intelectual indígena brasileira. Ele alerta, porém, que ainda não se formulou uma linha ideológica para o "pensamento" indígena. "Com muito esforço individual e pouca ajuda institucional, estamos começando a pensar o Brasil pela ótica dos índios", comemora Munduruku, que sabe latim, português, inglês, espanhol, um pouco de francês e arranha o italiano.
A primeira geração de estudantes universitários indígenas, em 1978, desafiou a ditadura. Os pioneiros foram quatro: dois terenas, um karajá e um kaapor, que chegaram a ser aconselhados pelo governo do general João Figueiredo a voltar para as aldeias. Mesmo assim, o grupo se manteve em Brasília. Entre eles, estava Marcos Terena, que, aos 23 anos, foi o primeiro índio a entrar em um faculdade no Brasil - ele fez administração na Universidade Católica, sem concluir o curso. Formado como piloto comercial civil, Marcos chegou a ser candidato a deputado federal pelo Mato Grosso, terra dos seus parentes, mas não se elegeu. Hoje, dirige o Centro de Tradições Indígenas e tem receio de que os índios intelectuais se distanciem de suas aldeias. Por isso, gosta de lembrar o antigo slogan de militância: "Posso ser o que você é sem deixar de ser quem sou". (Leonel Rocha - Da equipe do Correio).
Mais informações sobre este assunto no link a seguir :http://www.kaxi.com.br/noticias.php?id=1009

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